terça-feira, janeiro 26, 2010

Sobre o não fazer

35 dias de chuva em São Paulo. O mês mais chuvoso dos últimos 15 anos. Tem gente nesse momento que não tem nem onde dormir, que perderam tudo.
Manchetes e mais manchetes sobre catástrofes... mas meu mundo continua tão igual! Será que isso é normal? Claro que sinto muito e choro por ver aquelas pessoas no Haiti que não tem nem mais o pudor, pois a fome e a necessidade são maiores, mas e no meu mundo? Será normal não fazer nada? Mas se fizer, fazer o que?
O apego as raizes, a compromissos e a vaidade não me fez nem ao menos olhar para o meu guarda roupas e pensar "será que eu poderia doar essa peça?". Me envergonho agora de pensar que comer uma banana no café da tarde é sem graça, por estar de dieta. Muita gente agora não tem nem 100ml de água, quem dirá comida pra matar a fome.
Talvez seja normal. Eu, tão acostumada a cinema e ficção talvez confunda o que é vida dura e real, e ache que é só fechar a janela e voltar para meu lar que graças a Deus é seguro e seco.
Sinto muito...

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Enfim, passou!

Seria muita cara de pau a minha dizer "esse é mais um último post do ano" se ao longo dele eu só escrevi um!
2009 passou.
Que ano!
Apesar dele ter sido o mais tumultuado de toda a minha vida, ele passou sem nem ao menos eu notar, mas não me esquecerei dele jamais.
Meu filho nasceu em 2009. Caramba! MEU FILHO! Vocês tem noção que eu tenho um filho? Pois é, as vezes nem eu tenho. É muito foda ve-lo dormindo aqui do meu lado, já com seus 7 meses e saber que ele é meu.
Esse ano eu senti dor, senti tristeza, senti desespero e senti muita saudade. Saudade de quem cruzou o atlântico (mas que já está voltando), de quem foi morar com os índios e passar calor e especialmente saudade de mim mesma. Senti e ainda sinto saudade da pessoa que eu era antes do pequeno nascer, maaaas eu descobri que sentir saudades não é necessariamente querer de volta. Sentir saudades de um amor perdido nem sempre é querer te-lo de volta... Eu não me quero de volta da maneira que eu era.
Fico pensando na palavra pra me definir hoje e não encontro. Sou feliz? Não, pois amanhãa serei muito mais. Sou completa? Xiii!!! Falta muito para isso acontecer, talvez não aconteceça nunca. Posso dizer que a cada dia eu aprendo mais, busco mais, quero mais e com um motivo maior, que é a tranquilidade e a felicidade PLENA do meu filho.
Me despeço de 2009 assim, agradecendo a Deus pelo meu filho.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Eu me transformo em outras

São meses sem escrever. Como sempre, estava tudo tão fora do lugar que eu não conseguiria escrever nada, mas ontem eu passei um tempo considerável lendo o blog e me bateu uma saudade de quando eu realmente pensava em um mundo muito longe desse meu. Um mundo que às vezes eu vivia, vezes eu apenas observava e conseguia traduzir o que via nessas linhas.

Como mudei!

Como tudo mudou!

Hoje quero somente observar, mas algo em mim não deixa!!! Hoje a injustiça ficou muito mais injusta. A mentira ficou muito mais dolorida e as pessoas muito mais humanas passíveis de erros imperdoáveis. Aquela controvérsia que sempre existiu ainda está aqui, pois por mais que eu saiba que são humanos como eu e assim sendo, podendo errar como eu erro, meu perdão está muito mais caro. A reticência que eu sempre usava, prolongando assuntos e histórias está sumindo. Agora é ponto final mesmo! Não esqueço mais com tanta facilidade o que me atingiu e alguns dos meus sorrisos são falsos.

Fui vencida pelo resto do mundo, fazendo de conta que nada me afeta e jogando o jogo do contente para preservar... preservar o que mesmo? Me sinto mentirosa como os que eu abomino, tendo a minha frente um pano branco que esconde o que eu sinto e penso para apenas não criar atrito. Isso é maturidade? Então ainda prefiro ser infantil e honesta. Uma pena ter que esconder isso para ser pacífica e “aceita”.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Está tudo escuro onde eu estou agora e não sei como ter luz novamente. Cada dia que amanhece parece para mim o buraco do precipício, pois não há mais vida, não há mais nada, só o buraco. Não tenho planos para o resto da minha vida, nem mesmo para a próxima hora, não quero nem que o próximo minuto exista. Queria que a minha próxima lágrima se tornasse um lago de mim e me fizesse só água para assim poder fugir entre os cantos e sumir de tudo e principalmente de mim. Enxergo tudo de uma esfera a parte onde não há mais um fio de alegria, nem mesmo as idiotas. QUERO PARAR! QUERO VOLTAR PARA O MUNDO DOS NORMAIS! QUERO MINHA VIDA DE VOLTA AGORA MESMO!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Éramos 4!

Como sinto saudade de vocês! Das nossas 4 cadeiras e uma mesa para o vinho, cervejas e cinzeiros. Hoje, quando somos 4 e meio, em nossa mesa há suco super natural de abacaxi, pizza feita em casa com sabor de mãe e cigarros bem longe.
Como mudamos. Nossas lamentações de corações partidos deram lugar a contenções financeiras, preocupação com o emprego, um certo trabalho de conclusão de curso que está enlouquecendo e fraldas.
Penso, como estaria nossa vida se nada mudasse? Teríamos que mudar? Creio que já era o nosso curso natural, pessoas como nós não pode ficar estagnada, isso nos causa tédio. Usando o clichê “não há bem que seja eterno nem mal que dure para sempre”, devo contestar: o mal sempre deixa marca que vamos lembrar e o bem, o nosso bem que é a nossa amizade duradoura e fiel também será para sempre e nunca perdendo nada, somente mudando.
Sinto saudades sim, mas é só. Se deixou saudade é porque foi muito especial, pois agora somos um quarteto e mais um pouquinho e ainda temos nosso pronto socorro particular.

sexta-feira, novembro 21, 2008

O que aconteceu com o jardim?

Hoje quando cheguei em casa, vi a sombra de um ramo de planta na parede da garagem, sombra de flores há muito tempo foram plantadas em minha jardineira.
Prometi cuidar desse jardim. Prometi limpar, regar em dias quentes, tirar as formigas... Eu nunca cuidei. Ele foi esquecido lá no alto, lugar onde raramente vou.
Não posso mais esquecer de cuidar do jardim, pois não posso mais esquecer de cuidar de nada. Eu já deixei de cuidar por muito tempo de muita coisa... Hoje não posso mais.
Tenho que aprender a cuidar de tudo!

terça-feira, novembro 11, 2008

Menina

Já sonhei nossa roda gigante esconde-esconde em você
Já avisei todo ser da noite que eu vou cuidar de você
Vou contar histórias dos dias depois de amanhã
Vou guardar tuas cores, tua primeira blusa de lã

Menina, vou te guardar comigo
Menina, vou te guardar comigo

Teu sorriso eu vou deixar na estante para eu ter um dia melhor
Tua água eu vou buscar na fonte teu passo eu já sei de cor
Sei nosso primeiro abraço, sei nossa primeira dor
Sei tua manhã mais bonita, nossa casinha de cobertor

Menina, vou te casar comigo
Menina, vou te casar comigo...Vou te guardar comigo

Sou teu gesto lindo
Sou teus pés
Sou quem olha você dormindo

Ô menina, guardo você comigo
Menina, guardo você comigo

Nosso canto será o mais bonito Mi Fá Sol Lápis de cor
Nossa pausa será o nosso grito que a natureza mostrou
A gente é tão pequeno, gigante no coração
Quando a noite traz sereno a gente dorme num só colchão

Menina, vou te sonhar comigo
Menina, vou te sonhar comigo

O Teatro Mágico

sexta-feira, outubro 31, 2008

7mm com coração

Ouvir um coração batendo dentro de você que não é o seu é uma coisa que pode mudar a sua vida.
Nessas últimas 4 semanas muitas dúvidas, medos, arrependimentos e tristezas passaram pela minha cabeça e muitas MUITAS lágrimas rolaram por não saber direito o porque tudo isso estava acontecendo comigo nesse momento que era tão importante pra mim. Tudo parecia suspenso... até hoje.
Ouvi um coração que batia muito rápido e enfim pensei “nossa, ele está realmente aqui”. Parece que esse som nunca mais vai sair do meu ouvido.
Dia desses, disse ao pai do bebê que Deus tem um plano MUITO misterioso para mim. Acho que hoje descobri que plano é esse: como deixar de ser egoísta? Tendo um filho! Acho que quando você ama uma pessoa incondicionalmente como um filho não há espaço para o egoísmo. Esse é o plano.
Descobrir isso não significa que tudo ficará incrivelmente mais fácil e que agora não terei mais medo de fracassar e de não saber muito bem como teria sido minha vida se isso não tivesse acontecido, mas agora eu sei que não é um castigo e sim, agora sim, eu consigo ver como uma benção.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Montanha

Não gosto de montanha russa. Tenho medo de altura e ela é muito veloz. Por essa rapidez eu não consigo ver o que acontece, então acabo saindo do carrinho sem saber muito bem o que aconteceu.
Estou assim agora. Meu percurso na montanha me deixou tonta e ainda não consegui me atentar muito bem a tudo que está acontecendo.
Há mais ou menos dois meses atrás eu estava no meu momento e de repente sou outra.
Estou grávida!
É, não sei também explicar como estou me sentindo. Confusa. Com medo. Sem saber muito bem o que fazer. Não estou feliz nem triste, apenas estou esperando não sei o quê.

terça-feira, agosto 26, 2008

Únicas e Absolutas

Se não existe verdade absoluta, o que eu vivo, então?
Anos de mentiras que eu imaginei que fossem verdades, quando na verdade não passavam de um teatro bobo?
Nada é verdade e nada é mentira.
Quando um grupo de coisas tem a sua razão de ser, passa ser aceita.
Tudo pode ser aceito, e quando aceito a nossa crença diz ser de verdade.
A verdade é montada, da mesma maneira de onde eu enxergo roxo e você rosa.
Acreditamos e cobramos a verdade das coisas que fazem sentido para nós, quando o raciocínio é compatível e mais uma vez aceito.
Mas quais os critérios para acreditarmos nessas verdades irreais, já que cada um tem a sua?
Se eu tenho um parâmetro, uma linha, uma índole, uma postura para tudo e sou única no mundo, como acreditar que pelo menos uma pessoa participe do mesmo parâmetro que eu e pense da mesma maneira como eu sobre as verdades e mentiras? É como falar mil línguas e não encontrar ninguém que fale uma delas!
Por assim, acabamos acreditando no que nos é mais conveniente e confortável. “Algumas verdades são difíceis de aceitar”, quais???? se temos uma verdade até para a morte, quando dizem que os entes queridos não se foram, apenas deixaram o plano terreno, mas continuam nos abençoando!
Nós acreditamos no que nos convém e a mentira acaba sendo nada mais do que alguém que pensa diferente e olha de um outro ângulo do prisma, coisa que acontece sempre e os chamamos de mentirosos. Que moral temos, já que a nossa verdade é única e de mais ninguém?
Não é verdade?

quarta-feira, agosto 13, 2008

No final das contas, inocente.

Ela estava sozinha há meses, na verdade há 25 meses e 18 dias, como sempre afirmava em suas lamurias, para quem quisesse ouvir. Ela sofria. Não admitia para ninguém, às vezes nem para ela, mas sofria por seu antigo amor, não pelo homem que era um traste em forma de gente, mas do amor que sentiu e que acreditou que fosse recíproco e eterno. Foi enganada a pobrezinha. Não foi traída, não! muito pior, foi sugada toda sua energia, deixando-a sem forças nem para chorar quando tudo acabara de vez. Não rolou uma só lágrima, apenas uma promessa: nunca mais isso. Nunca mais seria enganada.Bonita, interessante fazia os corvos ouriçados rondarem a sua porta, mas ela sempre dizia que nada daquilo fazia a desconfiança sumir. Havia sempre a luz vermelha piscando em sinal de alerta.
Fazia muito frio naquele ano, um inverno sem chuva. Como de costume, para ajudar sua mãe nos afazeres, costumava fazer os serviços bancários, coisa que a obrigava a sair de casa dia sim, dia não.
Atrás da bancada de recebimentos havia sempre um rapaz louro, magro, parecia alto, mas não tinha certeza, pois sempre o via sentado.
Ele chamava atenção pelo seu par de olhos azuis indefinidos, mas mais que isso, ela era atraída por seu tom de voz gutural, mas ao mesmo tempo doce.
Ela sempre entrava na imensa fila rezando para tudo quanto é santo para ser atendida por ele. Quando dava a sorte, trocavam poucas palavras de ”como vai?” “frio hoje, não?” e ela voltava para casa contente. Um dia, no final daquele inverno, junto com as moedas de troco, ele a entregou um papel com o seu número de telefone móvel. Quando abriu o papel, já na rua, mal pôde acreditar. Dentro do coletivo na volta para casa não sabia o que fazer. As contas não foram mais pagas e ela demorou 7 dias para ligar.
Quando ele atendeu, ela flutuava. Conversaram por 4 horas sobre tudo: família, emprego, amor, dívidas, dúvidas...
Se encontraram num domingo em uma sorveteria, pensou que seria infantil, mas um bar seria muito. Foi perfeito. Depois disso outros encontros aconteceram: almoços, parques, ela o apresentou para a família e mesmo não oficialmente aquilo virou um namoro.
A primeira noite aconteceu em um lugar próprio para tal. O medo dela acabou ali. Foi tudo tão intenso e verdadeiro que a idéia de que nenhum homem a tocaria novamente desapareceu.
Passados os três meses de lua de mel de todo relacionamento, uma pulga pousou no canto da sua orelha esquerda: porque sua particularidade era tão escura? Não havia resposta, e por mais apaixonada que ela estava e querendo muito acreditar que ele era apenas reservado, ela não conseguia abstrair a dúvida.
Certo dia, quando virou uma esquina o viu na saída de um cinema. Ela, muito surpresa com o agradável encontro, abriu o seu melhor sorriso que foi se fechando quando percebeu ele sendo seguido por duas crianças o chamando de pai. Ela parou seus passos no meio fio e assistiu as mãos do seu amado se entrelaçarem em outras mãos delicadas de mulher.
Nada mais era real. Foram oito meses de juras de amor, delírios de casamento, nome dos filhos que teriam.
Ela foi para casa como um zumbi, não enxergava, não respirava. Não chorou, não comeu, não se banhou, ela não queria que nada a tirasse do transe em que estava.
No dia seguinte ela estava na fila do banco. Fez questão de ser atendida por ele, o homem estranho que se tornou.
Ele a cumprimentou, mas não houve resposta. Calmamente ela pulou o balcão com o punhal que herdou de seu pai nas mãos.
Foram 23 golpes que não sangraram.
Foi presa e julgada culpada, mas nunca mais se obrigou a acreditar.

sábado, agosto 02, 2008

terça-feira, julho 29, 2008

Olhos de Sangue

Se ontem eu era a bainha, hoje sou a espada em riste.
O tempero do meu dia é a luz que entra pelos meus olhos.
Me perdi na contramão da palavra e me encontrei do sol da poesia.
Saúdo a sombra que anda sob meus pés com o mesmo respeito que tenho com os meus inimigos abstratos.
Anseio por uma diarréia verbal para acabar com qualquer silêncio.
A cordilheira que se abriu entre mim e o resto do mundo engoliu a chama que me queimava e me desertou do mau combate.
Deserto, o oco.
A vida paga, mas agora eu sou a vida com dívida e por assim sou quem cobra.
Acorde! Venha ver como a dureza é bela de algum ponto e o claro é reto.
O meu espaço de um por um ficou pouco.
Espaço! Eu quero mais!
A lanterna agora tem luz forte e clareia.

quinta-feira, julho 17, 2008


“As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena,
ah...Que pena, eh, que pena”


Para enxergar não basta só abrir os olhos, quando fazemos isso apenas vemos. Enxergar vai muito mais além. É o poder de perceber além do óbvio o que cada gesto, sombra ou olhar quer dizer.
Uma viagem pode ser muito mais do que um lugar diferente pode se tornar um resgate para o seu passado e te lembrar de como você era e o que perdeu com as farpas do caminho.
Voltando para minha casa essa semana percebi que tudo que aconteceu naquela uma semana foi muito mais do que um trabalho, foi o meu resgate. Aquela cidade linda me resgatou para vida que sempre foi minha e que eu havia esquecido de vive-la. Conheci pessoas lindas, de almas puras e energias limpas, que me mostraram como é importante ser feliz. De como é bom ser eu... somente eu, o que já é muito, o suficiente.
Ninguém me disse o que eu deveria fazer ou como eu deveria agir com as intempéries que os ventos ruins trazem, não! Me deram somente a oportunidade de enxergar como tudo de ruim não vale a pena levar junto, nas costas.
“Quando você tem algo para resgatar ou recomeçar, nada como encontrar” eu encontrei a Gheisa de novo, um pouco perdida, mas exatamente como a deixei.
Frases: O Teatro Mágico e Marcella Bessa.

quinta-feira, julho 10, 2008

segunda-feira, maio 26, 2008

Compra-se um conto!

Um conto para um novo conto, com tanto que não fale de amor nem de lamúrias.
Tristeza nem de longe, quanto mais de perto que parece ainda mais feia.
Pago por letras alegres de dias de sol e jogos rápidos na grama. De leitura leve, onde o sorriso brote fácil no canto da boca enquanto as pupilas percorrem as linhas.
Gírias e trocadilhos como trava línguas e descritivos exatos de lugares que me façam viajar sem nem ao menos fechar os olhos.
Conte sobre um velho avô ou uma família do interior que tenham galinhas no quintal. Ou até sobre uma roda gigante, do brilho no olho do menino e do vento no rosto durante a descida. E quando eu acabar de ler, tenha a certeza de ter feito uma ótima compra!

quinta-feira, maio 22, 2008

O que eu quero!

Eu não quero ver você cuspindo ódio. Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor. Eu não quero ver você chorar veneno, não quero beber o teu café pequeno, eu não quero isso, seja lá o que isso for! Eu não quero aquele, eu não quero aquilo, peixe na boca do crocodilo, braço na Vênus de Milo acenando tchau.
Não quero medir a altura do tombo nem passar agosto esperando setembro se bem me lembro. O melhor futuro, este hoje escuro, o maior desejo da boca é o beijo. Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos.
Quero a Guanabara, quero o rio Nilo! Quero tudo ter estrela, flor, estilo, tua língua em meu mamilo, água e sal.
Nada tenho, vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quando. Vida, vida noves fora zero! Quero viver, quero ouvir, quero ver!!!

sábado, maio 17, 2008

Cronograma

Acordar tarde.
Tomar café da manhã com direito a pão na chapa.
Acompanhar minha mãe ao cabeleireiro para retocar a raiz.
Voltar para casa.
Assistir com meu pai a vitória do Corinthians por 3 x 1 pela segundona.
Cortar as unhas do pé.
Trocar o esmalte das mãos.
Falar com uma amiga.
Tomar um banho bem demorado ouvindo música boa.
Colocar um pijama confortável.
Ouvir o jornal na TV.
Papear com lindas amigas na Internet.
Assistir novela.
Combinar uma pizza.
Falar sobre o bar de ontem.
Dormir pensando: o que farei por mim amanhã?
Sensação boa essa.

sexta-feira, maio 16, 2008

Esperar o leite ferver, a chuva parar, o tempo passar, o carteiro chamar, o telefone que não vai tocar. Esperar a dor passar, o vazio encher, a música acabar.
Esperar.

terça-feira, maio 13, 2008

Exaustão

Caos calado em mentes aparentemente coesas e retas. Sim e não, errado e certo. Extremos com cortes secos são o fim dos tempos, mas talvez a única bóia de salvação em meio a esse oceano que nos rodeia. A nossa ilha.
Há minutos atrás descobri algo em minha certeza tão cintilante até então, que fez com que a turva névoa abrisse um clarão onde apareceu um “talvez”. Algo, enfim, flexível dentre toda essa rigidez. O assustador é ler letra por L E T R A o ‘talvez não’ vindo da minha vontade.
Essas nossas doses homeopáticas de amor e cumplicidade são um oásis no meio do deserto que me parece tudo isso, mas porque a cura definitiva para a minha cama vazia não termina?
Nesses pequenos encontros, de onde saímos extasiadas de tanto amor, fico também com o gosto meio azedo: o que está acontecendo? O amor é algo tão absurdo que precisamos de rompimentos de distâncias para fazer com que ele volte a ter vida nova? ‘Talvez não’ pra mim.
A exaustão mental que isso me causa me faz por a prova tudo o que sinto, e me assusta pensar que dentro de pouco tempo posso não pensar mais nisso por pura falta de vontade. E o que eu julgo a coisa mais importante nisso tudo como ficaria? Guardado, penso. Guardado e protegido de toda essa balburdia!
Estou cansada e a um passo de dobrar a esquina e tomar outro rumo e com o passar do tempo esquecer.
Tudo isso me causa medo, medo de estar sendo traída pelo cansaço, como nos dias em que se tem muito sono e já não se compreende mais nada, mas também sinto medo de fazer diferente.
Só quero não pensar mais para ficar com a mente vazia e sem medo de mais nada.

Estou trocando tudo, abrindo mão da minha certeza e convicção por um pouco de calmaria.